Em países em desenvolvimento, 214 milhões de mulheres não têm acesso a métodos contraceptivos


(foto: Prefeitura de Olinda / Fernanda Mafra)

(foto: Prefeitura de Olinda / Fernanda Mafra)

Nos países em desenvolvimento, 214 milhões de mulheres querem evitar a gravidez, mas, por diversas razões, não fazem uso de métodos contraceptivos modernos. É o que revela um estudo divulgado no último dia 29 de junho pelo Guttmacher Institute. O organismo avalia que, nessas nações, demandas por contracepção e por serviços de saúde materna e neonatal não estão sendo atendidas.

Segundo o levantamento, em 2017, 50 milhões de mulheres grávidas no mundo farão menos de quatro visitas de acompanhamento pré-natal e 35 milhões não darão à luz em uma unidade de saúde. Para atender a demanda por métodos contraceptivos e saúde materna e neonatal nas regiões em desenvolvimento, seriam necessários cerca de 52 bilhões de dólares anualmente, ou oito dólares e 39 centavos por pessoa.

Apesar dos desafios de saúde pública, o relatório “Adding It Up: Investing in Contraception and Maternal and Newborn Health, 2017” (Investindo em contracepção e saúde materna e neonatal) também revela um aumento estável no uso de métodos contraceptivos modernos em países em desenvolvimento, mesmo com o crescimento do número de mulheres em idade reprodutiva.

O resultado foi uma queda ao longo dos últimos três anos na demanda não atendida por contracepção – em 2014, eram 225 milhões de mulheres sem acesso a métodos de prevenção da gravidez. Entretanto, investimentos em planejamento reprodutivo são descritos pelo relatório como essenciais para manter esses ganhos e ampliar o progresso. Segundo o relatório, mulheres com demandas por contracepção não atendidas representam 84 por cento das gestações não planejadas nos países em desenvolvimento.

Existem grandes disparidades entre regiões: as taxas apresentadas são piores na África, onde menos da metade das mulheres grávidas fazem quatro ou mais visitas de atendimento pré-natal e um pouco mais da metade têm seus filhos em unidades de saúde. Em contrapartida, na América Latina e Caribe, aproximadamente 90 por cento das mulheres têm quatro ou mais atendimentos pré-natais e mais de 90 por cento têm seus filhos em centros de saúde.

No Brasil, estimativas coletadas pelo governo e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) indicam que a demanda não atendida por contraceptivos se encontre entre os seis e 7,7 por cento, afetando aproximadamente quatro milhões de mulheres em idade reprodutiva. Do total de nascimentos ocorridos nos últimos cinco anos, apenas 54 por cento foram planejados para aquele momento. (pulsar/onu)

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