Em Minas Gerais, expansão da maior mina de ouro do mundo preocupa moradores


(foto: reprodução)

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Quilombolas da comunidade de Machadinho, ao norte do município de Paracatu, em Minas Gerais, reivindicam da empresa canadense Kinross Gold Corporation, que lidera a atividade de extração de ouro na cidade, uma compensação pela utilização de terras que pertenceram ao grupo. A maior mina de ouro do país e a maior do mundo a céu aberto representa a principal atividade industrial para a geração de emprego e renda na região, mas assusta os moradores com a proximidade das atividades de mineração e a possibilidade de intoxicação por metais pesados.

Em 2006, a mineradora iniciou um projeto para elevar a capacidade de produção da mina de Paracatu de cinco para 15 toneladas anuais de ouro até setembro de 2008. O projeto também ampliava em mais de 30 anos o tempo de vida útil da mina. As atividades exigiram ainda a criação de uma nova barragem para o despejo de rejeitos – material que sobra do processo de separação do ouro.

Atualmente, mais de mil quilombolas fazem parte da comunidade, mas a maioria vive na zona urbana. As sete famílias que permaneciam no local negociaram, há mais de dez anos, a venda das terras com a empresa canadense. Agora, os demais membros da comunidade tentam negociar uma compensação a ser paga pela mineradora a eles. A compra desse território pela empresa canadense fez parte do processo de expansão da mineradora.

De acordo com o diretor da Federação Quilombola de Minas Gerais, Gilberto Coelho de Carvalho, o termo de reconhecimento de que a comunidade de Machadinho é terra quilombola foi publicado pela Fundação Cultural Palmares em 1994, mas o processo de regularização ainda estava em curso.

A Fundação Cultural Palmares confirmou que a comunidade de Machadinho foi certificada como território quilombola em 2004, mas esclareceu que esse é apenas o primeiro passo no processo de titulação. Os procedimentos seguintes seriam de responsabilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O Incra, por sua vez, informou que o processo de reconhecimento como terra quilombola foi iniciado, mas nunca concluído e que, nesse meio tempo, as famílias que viviam ali tinham o direito de negociar a terra que, atualmente, é considerada particular. (pulsar)

*Com informações da Agência Brasil.

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