Em Manaus, gastos milionários e o “não legado” da Copa preocupam


(foto: Elaíze Farias)

(foto: Elaíze Farias)

Desde que foi escolhida como uma das 12 cidades-sede da Copa do Mundo, Manaus acumula decepções e legados, ou melhor, não legados. As obras, que já mataram três operários e mais um por infarto não trazem retorno para os moradores. Além disso, a capital do Amazonas mantem as marcas da degradação urbana e da desigualdade social.

A Arena da Amazônia, palco de quatro jogos do Mundial, custou aos cofres públicos mais de 600 milhões de reais e ainda não se sabe qual será sua utilização quando o evento terminar. A reforma do porto consumiu 71 milhões de reais de recursos federais e teve o processo de licitação contestado. As obras do aeroporto internacional Eduardo Gomes soterraram um curso d’água e desmataram uma área protegida da capital amazonense. Os dois centros de treinamento previstos não têm data para abertura.

Quando Manaus foi escolhida, uma lista de projetos que fariam parte do legado da Copa entrou nas agendas de discussão dos gestores públicos. Obras de mobilidade urbana, incremento da rede hoteleira, revitalização de áreas degradadas, melhorias no transporte público e até geração de energia solar no entorno da Arena estavam entre as promessas.

Com a proximidade da Copa do Mundo, o que se vê é o abandono da maioria dos projetos. De acordo com o presidente do Instituto Amazônico de Cidadania, Hamilton Leão, o legado prometido não passou de discurso. Para ele, está muito claro quem sairá ganhando com a Copa em Manaus: as construtoras, os organizadores, os dirigentes do Estado e a própria Federação Internacional de Futebol (Fifa). (pulsar/agência pública)

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