Documentos de ex-coronel do Exército comprovam cooperação entre ditaduras latinas


(foto: reprodução)

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Pela primeira vez, documentos do Exército brasileiro comprovam a existência da Operação Condor, aliança entre governos do Cone Sul para monitoramento, tortura e desaparecimento forçado de membros de grupos da luta armada contrários aos regimes militares em vigor na região.

De acordo com um documento da chamada Operação Gringo, o Brasil se tornou depois de 1977 a mais importante base do grupo de oposição argentino Montoneros, o que chamava a atenção dos militares responsáveis por monitorar ativistas e guerrilheiros estrangeiros em território brasileiro. Segundo um relatório de 31 de dezembro de 1979, desde o sumiço de um dos líderes da organização, São Paulo e Rio de Janeiro vinham sendo locais importantes para a militância argentina.

A existência da Operação Condor já havia sido confirmada por meio de outros documentos, como os do Departamento de Estado dos Estados Unidos, sobre o teor da reunião que selou a aliança entre os governos militares. No entanto, os arquivos encontrados recentemente são os primeiros das Forças Armadas brasileiras sobre a operação conjunta.

Os documentos foram obtidos na casa do coronel Paulo Malhães, encontrado morto em abril deste ano após prestar um dos mais polêmicos depoimentos à Comissão Nacional da Verdade. Na ocasião, o coronel contou como o Exército fez para desaparecer com os restos mortais do deputado federal Rubens Paiva durante a ditadura. Além disso, ele ainda revelou como agentes do Centro de Informações do Exército (CIE) mutilavam as vítimas da repressão na Casa da Morte, na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro,arrancando suas arcadas dentárias e as pontas dos dedos para impedir a identificação dos corpos, caso fossem encontrados.(pulsar/carta capital)

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