Documentário registra luta e empoderamento de mulheres através do bordado


Estreia do filme será realizada no Rio de Janeiro no próximo dia 29 (foto: Vinicius Denadai)

Estreia do filme será realizada no Rio de Janeiro no próximo dia 29 (foto: Vinicius Denadai)

A história de luta das mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) virou filme. Utilizando uma técnica de bordado chilena, elas narram suas trajetórias no documentário “Arpilleras, atingidas por barragens, bordando a resistência”. O longa-metragem foi viabilizado após a realização de um financiamento coletivo. A estreia será na próxima terça-feira (29), no Cine Odeon, no Rio de Janeiro.

O bordado de arpillera foi usado por mulheres durante a ditadura de Augusto Pinochet, no Chile, para denunciar violações e driblar a censura. No Brasil, a técnica foi ensinada em oficinas realizadas pelo MAB em cinco regiões do país.

O projeto surgiu como uma ferramenta para denunciar, por meio da arte, as diversas violações sofridas pelas mulheres. De acordo com Neudicléia de Oliveira, da Coordenação Nacional do MAB, foi detectado que durante o processo de construção das usinas hidrelétricas e das barragens, as mulheres são as que mais sofrem as consequências e não têm voz para denunciar.

Em regiões onde hidrelétricas e mineradoras são instaladas, aumentam a violência doméstica, a prostituição e os estupros.

A estudante de agronomia da Universidade Federal do Ceará e militante do MAB, Marina Calisto Alves, é uma arpillera. Para ela, muito mais do que dor, o filme retrata lutas importantes, como a “capacidade de organização coletiva das mulheres, o avanço de consciência política e a autonomia da antiga e da nova geração”.

O filme foi totalmente produzido e realizado pelas mulheres do MAB em conjunto com o coletivo de comunicação do movimento. Após a estreia no Rio de Janeiro, a expectativa é levar a produção para outras capitais, como São Paulo. (pulsar/brasil de fato)

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