Diretor do Inpe que mostrou que desmatamento da Amazônia voltou a crescer é exonerado


Ricardo Galvão é exonerado do cargo de diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. (Foto: reprodução)

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, decidiu nesta sexta-feira (2) exonerar o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, após reclamações do presidente Jair Bolsonaro sobre a divulgação de dados relativos ao avanço do desmatamento na Amazônia. Pontes e Galvão se reuniram em Brasília, quando foi tomada a decisão. A demissão foi confirmada por Galvão, ao portal G1. “Minha fala sobre o presidente gerou constrangimento, então eu serei exonerado”

Os ataques de Bolsonaro começaram em 19 de julho quando, em entrevista a jornalistas estrangeiros, afirmou suspeitar que Galvão estaria “a serviço de alguma ONG”, sem apresentar qualquer indício. Os dados que incomodaram o presidente apontam avanço de 40% do desmatamento na região Amazônica nos últimos doze meses, com área devastada de 5.879 quilômetros quadrados.

Galvão então reagiu com “grande indignação” à acusação de Bolsonaro, taxando a declaração do presidente de “conversa de botequim”, e fez a defesa dos dados apresentados. “Ele fez acusações indevidas a pessoas do mais alto nível da ciência brasileira, não estou dizendo só eu, mas muitas outras pessoas”, disse o então presidente do Inpe. Bolsonaro passou então a cobrar que Galvão se demitisse, alegando que a divulgação desse tipo de informação “dificulta” negociações comerciais com outros países. E acrescentou que precisa ter conhecimento prévio dos dados para não ser “pego de calças curtas”.

Galvão assumiu o Inpe, em setembro de 2016, para um mandato de quatro anos, mas o regimento que o ministro ao qual o órgão se subordina pode demitir o diretor “em uma situação de perda de confiança”. “Se quebrar a confiança, vai ser demitido sumariamente. Perdeu a confiança, no meu entender, isso é uma pena capital”, afirmou Bolsonaro ainda na quinta-feira (1º), antecipando a exoneração.

Para o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), a exoneração do diretor do Inpe faz parta da “escalada autoritária” do governo Bolsonaro. “Ele não aceita ser contrariado, mesmo quando há fatos científicos comprovando que ele está errado. A forma como tem conduzido a sua política ambiental tem consequências graves, que não afetam apenas o meio ambiente, mas também a economia e a qualidade de vida das pessoas – no Brasil e no mundo também”, alertou o parlamentar. Já o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos declarou que o critério para ser aceito neste governo é “ser mentiroso igual ao chefe”.

Galvão poupou o ministro Marcos Pontes. “Frente ao ministro Pontes eu não tive que defender nada. Ele concorda inteiramente com os dados do INPE”. Na semana passada, ele havia recebido o apoio de servidores do Inpe, que fizeram um ato de desagravo na sede do instituto, em São José dos Campos. O Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) também soltou nota manifestando apoio ao diretor contra os ataques de Bolsonaro. (pulsar/rba)

Faça um comentário

20 + = 27