Denúncia de especialistas aponta grave contaminação na maior mina de ouro do país


(foto: reprodução)

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Desde 1987, a transnacional canadense Kinross Gold Corporation retira cerca de 17 toneladas de ouro por ano da maior mina a céu aberto do Brasil, nos limites do município de Paracatu, na região noroeste de Minas Gerais. Cientistas, biólogos e ambientalistas denunciam um grave problema de contaminação ambiental e a intoxicação lenta da população de 80 mil habitantes. De acordo com João Paulo da Silva Couto, da Cáritas Regional Paracatu, a mineradora contamina o ar, as águas e a população. Além disso, o índice de câncer na cidade estaria acima da média.

O Hospital de Câncer de Barretos, cidade localizada a mais de 550 quilômetros de Paracatu, é a principal referência no tratamento da doença para os moradores. O número de casos é tão grande que o município conta com uma casa de apoio para abrigar familiares e pessoas em tratamento. Em 2012, pelo menos 500 paracatuenses eram tratados lá. João Paulo garante que o número de doentes tem aumentado. Ele afirma que também é alto o índice de doenças respiratórias, principalmente em crianças.

O ex-deputado estadual Almir Paraca (PT) critica ainda a compensação financeira do ouro no novo Código da Mineração. Os royalties cobrados são de apenas um por cento sobre o faturamento líquido da mineradora. Desses, 65 por cento ficam no município, 25 por cento no estado e 15 por cento são federais. Para Almir, com isso não é possível fazer compensação ambiental e o fomento ao desenvolvimento da cidade.

Segundo o cientista Sergio Ulhoa Dani nasceu e cresceu em Paracatu e hoje mora na Alemanha, o responsável pelas doenças é um material conhecido como arsênio, presente na poeira oriunda da mineração de ouro. Em um ponto no Córrego Rico, riacho que atravessa a cidade, o arsênio atingiu uma concentração 190 vezes maior que a estipulada pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente e 744 vezes maior que a concentração média natural verificada nos rios e córregos da região.

Sergio aponta ainda que a poeira que se respira em Paracatu tem concentrações de arsênio até 140 vezes mais altas que a concentração acima da qual o veneno começa a causar danos à saúde humana. A mineradora Kinross apresentou em 2013 uma pesquisa afirmando que “não existe qualquer tipo de evidência de contaminação ambiental ou da população de Paracatu por arsênio”. (pulsar/brasil de fato)

Um comentário

  1. Eduardo Ayres says:

    A crítica do nobre deputado é muitíssimo válida, mas compensação ambiental é obrigação da empresa; não é para ser financiada com royalties… E não há compensação que pague a vida humana… Fora daqui com essa caterva!

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