Déficit habitacional bate recorde e movimentos veem futuro com preocupação


(foto: EBC/Agência Brasil)

O Brasil bateu o recorde de déficit habitacional, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com os dados, o número cresceu sete por cento, entre 2007 e 2017, e agora é de sete milhões 780 mil moradias. A situação é preocupante e não há uma perspectiva positiva para o futuro próximo.

A avaliação é de Benedito Barbosa, o Dito, advogado do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e um dos coordenadores da União dos Movimentos de Moradia. Ele explica que a redução do crédito para financiamento, o desemprego em alta e a queda na renda das famílias são responsáveis por isso. “Desde 2014, a gente sofre com cortes maiores nos recursos do Minha Casa Minha Vida, principalmente na faixa 1, que atende a famílias de baixa renda. O aumento do desemprego e da miséria também impacta nisso”, lamenta.

O déficit habitacional do Brasil, que já era considerado elevado, aumentou em mais de 220 mil imóveis entre 2015 e 2017. Outro elemento desse resultado é o custo dos aluguéis, explica Benedito. “A especulação imobiliária tem impacto direto. O custo médio do aluguel em São Paulo é altíssimo, dependendo da região ultrapassa os mil reais, o que prejudica uma família de baixa renda”, critica.

Os movimentos de moradia acreditam que o cenário com o presidente Jair Bolsonaro é de incerteza. “Na primeira semana dele, já indica que as áreas sociais sofrerão com cortes, então o impacto para o trabalhador é grande. Isso é grave e aumenta a preocupação dos movimentos sociais”, observa Barbosa.

Para o ativista, os dados também confirmam que há problemas nos programas de saneamento e de urbanização de favelas, como a falta de garantia de títulos da terra. De acordo com ele, os programas de urbanização de favelas foram paralisados, enquanto o país vive num processo de ‘favelização’ por conta do déficit.

Desde a gestão de Michel Temer a privatização dos bancos públicos está na pauta do governo federal. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já demonstrou interesse em aproximar o modelo de gestão ao que se faz na iniciativa privada. “Nós vamos ter que lutar demais e nos organizar mais para resistir, porque os recursos dos programas sociais estão depositados na Caixa Econômica para serem destinados às famílias de baixa renda”, afirma o líder do movimento. (pulsar/rba)

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