CTNBio vota liberação de transgênicos mesmo com riscos para a população


(foto: reprodução)

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Nesta quinta-feira (5), a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) deve aprovar mais sementes modificadas, conhecidas como transgênicos, que ainda vêm aliados ao consumo excessivo de defensivos agrícolas. Atualmente o Brasil é líder, junto com os Estados Unidos, no uso de agrotóxicos e sementes transgênicas que precisam de mais agrotóxico. Está prevista a votação de três novas liberações para uso comercial a pedido das empresas produtoras.

A votação será a respeito do milho e da soja resistentes ao 2,4-D, um produto extremamente tóxico, além da liberação comercial do eucalipto transgênico. O Brasil é um dos maiores produtores de celulose do mundo: estima-se que mais de cinco milhões de hectares já sejam destinados à plantação de florestas de eucaliptos, que em 2014 fez com que seus produtores lucrassem 600 dólares por tonelada, atividade das mais rentáveis do setor.

De acordo com Gabriel Fernandes, assessor técnico da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, organização não governamental, o agrotóxico em questão trata-se de um dos ingredientes do agente laranja, utilizado pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, e já proibido em muitos países. O veneno está associado a diversas doenças e quando pulverizado no meio ambiente se converte numa substância considerada uma das mais tóxicas já desenvolvidas.

Para Gabriel, a liberação das novas sementes de milho e soja demanda grande quantidade de agrotóxicos, que chegarão às rações animais, aos óleos e a todos os subprodutos derivados dos transgênicos, o que atinge toda a população. Além disso, o 2,4-D é facilmente carregado pelo vento, ou seja, quando pulverizado se espalha pelas plantações vizinhas.

Sobre o eucalipto transgênico, Gabriel conta que a empresa Futura Gene é a autora da nova variedade que possuiu um tempo de produção reduzido e com consequente aumento do gasto dos recursos hídricos. A planta, que normalmente consome 30 litros de água por dia e já provoca seca no norte do Espírito Santo e sul da Bahia, vai crescer mais rápido e utilizar mais água. O cultivo da árvore transgênica ainda pode comprometer diretamente a produção de mel no país. (pulsar)

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