Construção de campo de golfe para as Olimpíadas acumula irregularidades


(imagem: reprodução)

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Após 112 anos, o golfe volta aos Jogos Olímpicos em meio a uma polêmica ambiental. Para atender às recomendações da Federação Internacional de Golfe (IGF) e do Comitê Olímpico Internacional (COI), o Rio de Janeiro precisou construir um campo de golfe olímpico e, para isso, escolheu justamente uma área de preservação ambiental.

A cidade já tinha dois campos para a prática do esporte: o Gávea Golf Club e o Itanhangá, considerado um dos cem melhores do mundo pela revista Golf Digest. Mas, em 2011, dois anos após a escolha do Rio para sediar os Jogos, a IGF publicou um relatório alertando que os dois campos já existentes eram inadequados à prática olímpica.

Um terceiro campo foi então projetado e começou a ser construído em 2013 pela empresa Fiori Empreendimentos Imobiliários Ltda. A área escolhida foi a Reserva de Marapendi, na Barra da Tijuca. Segundo a prefeitura, o terreno já havia sido desmatado e estava ambientalmente degradado. O novo campo deveria deixar a área novamente verde e, por ser público, ajudar a popularizar o esporte.

Uma análise mais cuidadosa, porém, mostra que até agora quem mais ganhou com a iniciativa foi construtora Cyrela, parceira da Fiori. Em troca de um investimento de 60 milhões de reais no campo de golfe olímpico, a construtora recebeu autorização para construir na área 22 prédios de mais de 20 andares, com apartamentos avaliados entre seis milhões e 13 milhões de reais.

Entre as polêmicas está a alteração do zoneamento local e do limite de altura dos prédios para favorecer a construção do empreendimento (nas áreas vizinhas, o limite é de seis andares por prédio). A exceção que favoreceu a Cyrela foi aprovada pela Câmara Municipal no final de dezembro de 2012. A escolha dessa data teria sido uma manobra política para evitar o debate público e a atenção da mídia, além de garantir a aprovação antes da mudança da legislatura.

A questão ambiental e imobiliária foi parar na justiça. São investigadas irregularidades no licenciamento, crime ambiental e improbidade administrativa da prefeitura por suposto favorecimento às empreiteiras. O promotor alega que o ganho é desproporcional à contrapartida dada ao governo municipal. (pulsar/carta capital)

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