Comissão da Verdade de SP mostra colaboração da Volks e da Cobrasma com a ditadura


(foto: Assembleia Legislativa de SP)

(foto: Assembleia Legislativa de SP)

No último dia 27 de fevereiro, a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, da Assembleia Legislativa, promoveu uma audiência pública em que mostrou documentos e depoimentos contundentes de trabalhadores sobre a colaboração da Volkswagen e da Cobrasma, de Osasco, com a repressão no período da ditadura civil-militar.

Um documento de 1980, por exemplo, obtido nos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), mostra uma lista de trabalhadores ligados ao movimento sindical que teria sido fornecida pela própria Volkswagen aos organismos da repressão.

Segundo pesquisadores que apoiam a comissão estadual, outro documento “reservado” dos arquivos do Dops revela o controle dos trabalhadores exercido pela empresa para alimentar os serviços de informações da repressão. Nele, são descritas atividades de sindicalistas do ABC paulista e falas de Luiz Inácio Lula da Silva dirigidas aos trabalhadores da empresa, que teriam sido repassadas pela Volks ao Dops. Não está claro se Lula era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema ou se o PT já havia sido fundado, o que aconteceu em 1980.

O ex-ferramenteiro da Volks, Lúcio Bellentani, relatou como foi preso nas dependências da empresa, com uma metralhadora nas costas, sob a “supervisão” da segurança da própria empresa, na presença do coronel Adhemar Rudge, que chefiou a Divisão de Segurança de 1969 até 1991, e descrito pelos ex-funcionários da Volks como um homem truculento.

Já os trabalhadores da Cobrasma relataram a participação da empresa na delação de operários que participaram da histórica greve desencadeada em 1968, na esteira da greve de Contagem, em Minas Gerais (MG), realizada três meses antes. (pulsar/rba)

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