Com suspeita de tuberculose, Rafael Braga é internado no Rio de Janeiro


(foto: reprodução)

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Sem que família ou a defesa fossem avisadas, Rafael Braga está internado na Unidade de Pronto Atendimento e Hospital Doutor Hamilton Agostinho Vieira de Castro, localizado no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito na última segunda (21) pela defesa do jovem negro que se tornou ícone do combate ao racismo institucional e seletividade penal, em especial por ter sido o único preso no contexto das manifestações de 2013, bem como por posteriormente ter sido preso e condenado por tráfico de drogas em um processo extremamente questionado pela comunidade jurídica e ativista. Informações preliminares dão conta que o quadro seria de tuberculose.

Responsável pela defesa de Rafael, o Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH) afirmou, em nota, que “nem a defesa, nem os familiares e apoiadores de Rafael Braga foram notificados sobre a sua transferência para uma unidade hospitalar. A informação só foi descoberta quando Adriana Braga, mãe de Rafael, tentou, sem sucesso, visitá-lo no último domingo”.

A tuberculose contraída por Rafael é exemplo do descaso do Estado brasileiro com a saúde dos presos. O país é internacionalmente conhecido por permitir que seus cidadãos presos e presas contraiam e morram de doenças tratáveis, inclusive algumas que poderiam ser curadas sem maiores complexidades – “a situação relatada está longe de ser um fato isolado, ao contrário, é o retrato de um cenário dramático. Infelizmente, o Estado Brasileiro vem permitindo que um surto de tuberculose se alastre pelo sistema penitenciário nacional sem que sejam tomadas medidas adequadas para a interrupção da insalubridade” – afirmou a defesa de Rafael, em nota.

Tuberculose é uma delas. A pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Margareth Dalcolmo, citando as políticas de encarceramento massivo, especialmente da população mais pobre, afirmou que “estar preso é um fator de risco, ter passado pelo sistema prisional também”. De acordo com ela, “É frustrante que estejamos diante de uma doença benigna, fácil de ser diagnosticada, com tratamento de boa qualidade e, mesmo assim, tenhamos esse universo perverso no sistema carcerário no Brasil”. (pulsar/justificando)

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