Caracas pede que Brasil garanta direitos de venezuelanos atacados em Roraima


Venezuelanos foram atacados em Pacaraima, Roraima, fronteira com o país vizinho (Wikimedia Commons)

O governo da Venezuela pediu às autoridades brasileiras respeito aos direitos humanos dos venezuelanos radicados em Pacaraima, Roraima, que foram vítimas no último sábado (18) de ataques de parte da população local.

A Chancelaria expressou sua “preocupação” pelos ataques aos imigrantes venezuelanos, somados aos desalojamentos massivos, “atos que violentam as normas de direito internacional, além de vulnerar seus direitos humanos”.

Frente à situação, as autoridades venezuelanas ordenaram aos membros do consulado em Boa Vista, capital de Roraima, que se dirijam a Pacaraima para verificar a situação dos cidadãos do país. Além disso, elas pediram às autoridades brasileiras que tomem as medidas necessárias para resguardar e garantir a segurança das famílias venezuelanas.

Por fim, o governo venezuelano rechaçou “a instrumentalização de uma lamentável situação de violência, alimentada por uma matriz perigosa de opinião xenófoba, multiplicada por governos e meios de comunicação a serviço dos objetivos inconfessáveis do imperialismo, a partir do desprestígio da venezualidade”.

Segundo o Exército brasileiro, cerca de mil e 200 mil venezuelanos cruzaram de volta a fronteira do país com o Brasil, após os incidentes de sábado, quando moradores da cidade atacaram barracas e abrigos dos imigrantes, inclusive ateando fogo, depois que um comerciante local foi assaltado e espancado.

De acordo com as autoridades locais, não há registro de feridos entre os imigrantes.

O comerciante brasileiro que sofreu uma tentativa de assalto, supostamente por um grupo de venezuelanos, permanece internado em Boa Vista, e seu estado de saúde é estável.

As famílias venezuelanas que decidiram retornar ao país natal conseguiram atravessar a fronteira em segurança e com a integridade física garantida, informou o Exército. O posto de identificação e recepção da Polícia Federal na fronteira, que chegou a ficar fechado ontem por questões de segurança, funciona normalmente neste domingo.

O presidente Michel Temer se reuniu neste domingo no Palácio da Alvorada com os ministros Joaquim Silva e Luna (Defesa), Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional), Raul Jungmann (Segurança Pública), Moreira Franco (Minas e Energia) e Rossieli Soares (Educação), além do secretário-geral do Itamaraty, Marcos Galvão, para discutir a escalada da violência em Roraima. (pulsar/opera mundi)

* Com Agência Brasil

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