Candidatos conservadores representam mais retrocessos para as mulheres


(foto: Mídia Ninja)

Se depender da agenda dos candidatos de perfil conservador, as mulheres deverão fazer do movimento #EleNão um fórum permanente de lutas contra retrocessos. O líder das pesquisas de intenção de voto, Jair Bolsonaro (PSL), alvo das manifestações do último domingo (29), menciona a palavra mulher apenas uma vez. E no título de um gráfico: “Outro exemplo de mudança ideológica – Combater o estupro de mulheres e crianças.”

A julgar pelo programa de governo do candidato do PSL, as trabalhadoras não terão políticas públicas que contemplem suas bandeiras de luta. A palavra aparece uma só vez, mas com uma conotação que tenta desqualificar aquela que caracteriza a mulher que trabalha para se sustentar e a seus filhos e familiares.

As mulheres podem acusar Bolsonaro de tudo, menos de incoerente. Seu programa registrado no Tribunal Superior Eleitoral é fiel a posicionamentos seus, como o de que as mulheres devem ganhar salários menores que os homens porque engravidam.

Geraldo Alckmin (PSDB), que tem uma mulher como vice – a ruralista Ana Amélia Lemos (PP-RS) – é bastante vago nas duas vezes em que menciona o termo mulher em seu programa. Na primeira, diz que “vamos estabelecer um pacto nacional para a redução de violência contra idosos, mulheres e LGBTI”.

E na segunda, “a redução das desigualdades sociais exigirá um sério comprometimento do governo, para melhorar a qualidade da educação, ampliar o acesso à saúde, combater a violência e promover o respeito às mulheres, idosos e minorias.” A exemplo de Bolsonaro, o tucano também não menciona a palavra “trabalhadora”.

Henrique Meirelles (MDB) é outro que cita mulheres apenas duas vezes, e ignora totalmente as trabalhadoras. Em sua proposta, “as mulheres, por exemplo, trabalham, em média, três horas por semana a mais do que os homens, combinando trabalhos remunerados, afazeres domésticos e cuidados de pessoas. Mesmo assim, e ainda contando com um nível educacional mais alto, ganham, em média, 76,5 por cento do rendimento dos homens”.

Mais para frente, o texto promete “incentivar a redução da diferença salarial entre homens e mulheres, respaldado pela nova lei do trabalho aprovada em 2017”. Nada mais.

Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Eymael (DC) e Amoedo (Novo), que juntos somam oito por cento das intenções de votos, não mencionam a palavra mulher nenhuma vez em seus programas de governo. É como se elas não existissem.

O que dedica mais espaço e propostas à mulher é Guilherme Boulos (PSol). O termo aparece 125 vezes ao longo do programa e um capítulo inteiro intitulado “É pela vida das mulheres”, sobre trabalho, educação, saúde, inclusão e muito mais.

No programa de Ciro Gomes (PDT), o termo aparece 41 vezes. O candidato dedica um capítulo, intitulado “Respeito às mulheres”.

Na proposta de Fernando Haddad (PT), há um tópico inteiro com políticas para as mulheres, visando a igualdade de gênero. Ao todo, a palavra mulher aparece 34 vezes.

Já no programa de Marina Silva (Rede), o termo aparece nove vezes. Entre outras coisas, a candidata promete ampliar políticas de prevenção à violência contra a mulher, combater o feminicídio, qualificar a rede de atendimento às vítimas, criar políticas contra a discriminação no mercado de trabalho para garantir igualdade salarial para mulheres e homens que exerçam as mesmas funções.

Outros que se lembraram das mulheres em seus programas são João Goulart Filho (PPL), que em 20 situações se refere à mulher, e Vera (PSTU), em quatro. (pulsar/rba)

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