Câmara rejeita distritão e financiamento privado na Constituição


(foto: Luis Macedo)

(foto: Luis Macedo)

Na madrugada desta quarta-feira (27), os deputados rejeitaram os pontos mais polêmicos da reforma política: a inclusão, na Constituição, do financiamento privado de campanha para partidos e candidatos durante as eleições e o distritão – sistema eleitoral que acabaria com o voto proporcional e estabelece como vitoriosos apenas os candidatos mais votados nas eleições. Pelo menos num primeiro momento, fica tudo como está.

Numa noite em que não houve divisão entre os deputados da base aliada do governo ou da oposição, as duas rejeições foram consideradas as primeiras derrotas para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que desde que assumiu o cargo vinha articulando maior celeridade à votação de uma reforma com pontos defendidos por ele. Foi, também, uma maneira de os deputados manifestarem sua insatisfação com a forma de atuar do atual presidente, considerada “arbitrária” e “ditatorial” até mesmo por integrantes do próprio PMDB.

O ponto principal que levou à divisão entre os parlamentares que sempre apoiaram Cunha foi a estratégia adotada por ele na última segunda-feira, quando destituiu o então relator da comissão que apreciou a matéria, o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), nomeou o aliado Rodrigo Maia (DEM-RJ) para o lugar, e resolveu discutir e votar um novo relatório diretamente do plenário, desqualificando o trabalho da comissão especial.

Marcelo Castro chegou a distribuir folhetos aos colegas no plenário criticando o distritão e pedindo para que o sistema não fosse aprovado. Como resultado, até mesmo o PMDB demonstrou divisão em relação aos seus votos quanto ao novo modelo. Além disso, o líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), que tinha orientado a bancada tucana a votar a favor, depois anunciou ter mudado de posição.

Movimentos sociais, entidades diversas e parlamentares que protestaram e criticaram a proposta de reforma política em tramitação na Câmara dos Deputados comemoraram os resultados, porém não por considerarem avanços, mas sim por ter sido impedido um retrocesso. (pulsar/rba)

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