Câmara barra avanço da denúncia e salva Temer


(foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

(foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

Na última quarta-feira (02), em uma sessão marcada por votos constrangidos e negociação de emendas à luz do dia no plenário, Michel Temer obteve apoio suficiente para barrar o avanço da denúncia por corrupção passiva apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Foram 263 deputados que votaram sim, 227 que votaram não, dois se abstiveram e 19 se ausentaram.

Com a vitória do Planalto, o Supremo Tribunal Federal não está autorizado a analisar a denúncia, o que impede Temer de se tornar réu e, consequentemente, de ser afastado do cargo por até 180 dias.

A vitória de Temer, porém, foi obtida cerca de duas horas antes do fim da votação. Pouco depois das oito horas da noite, os votos em favor do relatório da Comissão de Constituição e Justiça que recomendou o arquivamento das acusações contra o atual presidente somados aos ausentes e às abstenções resultavam em 172, o suficiente para salvar Temer do prosseguimento da denúncia.

Primeiro na linha de sucessão caso o peemedebista fosse afastado, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, não demonstrou estar disposto a trair o atual presidente, ao contrário da postura adotada por Temer em relação à Dilma Rousseff. Na sessão, Maia beneficiou o peemedebista ao dar agilidade à votação e barrar requerimentos da oposição pelo adiamento da deliberação.

Os deputados que votaram “sim”, ou seja, contra o avanço da denúncia, demonstravam constrangimento de barrar as acusações. Em lugar de Deus e da família, pilares dos discursos dos parlamentares que votaram em favor do impeachment de Dilma Rousseff, os deputados favoráveis a Temer evocaram a estabilidade econômica como principal motivo para suas escolhas.

Com a votação favorável, Temer escapa por enquanto da acusação de corrupção passiva da Procuradoria-Geral da República, que só poderá ser analisada pelo STF após o fim do mandato do peemedebista. Em nome da estabilidade atual, muitos deputados utilizaram este argumento para votar contra o avanço da acusação.

O atual presidente foi denunciado por corrupção passiva com base nas delações da JBS. (pulsar/carta capital)

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