Brasil deixa de reduzir desigualdade de renda pela primeira vez em 15 anos


(foto: Pedro Bolle / USP Imagens)

Pela primeira vez em 15 anos, não houve no país a diminuição da desigualdade de renda, que permaneceu inalterada. É o que aponta o relatório anual “País estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras”, lançado nesta segunda-feira (26). O documento foi produzido pela organização não governamental Oxfam Brasil.

Segundo o estudo, as mulheres e a população negra foram as mais afetadas. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma das fontes do relatório, as mulheres ganhavam 72 por cento do que ganhavam os homens em 2016. Essa proporção caiu para 70 por cento em 2017 — o primeiro retrocesso na renda delas, em relação aos homens, em 23 anos.

Já a distância salarial entre brancos e negros praticamente não se alterou em um ano. Em 2016, o rendimento médio de negros era de mil 458 reais, enquanto a população branca recebia, em média, mais de dois mil e 500 reais. Em 2017, a renda dos negros passou para mil 545, e os rendimentos da população branca alcançaram quase três mil reais.

Esta é a segunda edição do relatório. A primeira versão, intitulada “A distância que nos une: um retrato das desigualdades brasileira”, foi lançada em 2017. O estudo analisa as desigualdades em três campos: de renda, de patrimônio e no acesso a serviços essenciais.

A primeira publicação do estudo concluiu que “os seis maiores bilionários do país juntos possuíam riqueza equivalente à da metade mais pobre da população”. E, na outra ponta, que o ano de 2017 começava com o registro de “mais de 16 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza”.

Com os dados atualizados, foi possível verificar que, entre os anos de 2016 e 2017, o Índice de Gini, que mede a desigualdade de renda domiciliar per capita, se manteve inalterado na redução da desigualdade, ao contrário do que ocorreu entre os anos de 2002 até 2016, quando se observou queda desses índices.

Com a aprovação da Emenda Constitucional (EC) 95 em 2016, que congelou as despesas públicas em áreas sociais por 20 anos, o estudo aponta que o país retrocedeu 17 anos em volume de investimentos sociais no orçamento federal. O relatório alerta que, entre os anos de 1976 e 2015, a melhora do índice de Gini e a redução da pobreza estão diretamente relacionadas com oferta de serviços, que se expandiu no período.

O relatório aponta ainda que, desde 2015, o número de pessoas em extrema pobreza aumentou no país pelo terceiro ano consecutivo, com aumento de 11 por cento em apenas um ano. Em 2016, o número de pessoas sobrevivendo com uma renda de pouco mais de sete reais – critério utilizado pelo Banco Mundial para classificar a situação de extrema pobreza – atingia 13 milhões e 300 mil; no ano seguinte, mais de 15 milhões se encontravam nesta situação. (pulsar/brasil de fato)

Faça um comentário

57 + = 62