Bolsonaro ordena comemorações do golpe militar de 1964


(imagem: reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) ordenou que os 55 anos do golpe militar de 1964 sejam “comemorados” no Brasil no próximo dia 31 de março. A informação foi divulgada nesta segunda (25) pelo porta-voz da Previdência, general Otávio do Rêgo Barros. De acordo com o porta-voz, o presidente pediu que as Forças Armadas façam as “comemorações devidas” no dia 31 de março, dentro dos quarteis.

A ditadura durou de 1964 a 1985 no Brasil. Durante esse período, houve o fechamento do Congresso Nacional em diversos momentos, a restrição a liberdades civis, tortura e morte de opositores. Segundo a Comissão da Verdade, que investigou os crimes cometidos pela ditadura, 434 pessoas foram mortas ou desapareceram durante o período.

Em 2014, a comissão entregou à então presidente Dilma Rousseff um relatório pedindo a responsabilização de 377 pessoas pelas atrocidades cometidas durante o período repressivo.

A decisão de Bolsonaro de comemorar a data 31 de março no Brasil desagradou até a ala militar do governo. Generais da reserva que integram o primeiro escalão do Executivo pediram cautela para evitar ruídos desnecessários durante os debates da reforma da Previdência.

Ex-capitão do Exército, Bolsonaro, de 64 anos, diz que o Brasil não sofreu um golpe militar. Ele acredita que, em 1964, militares e civis se uniram para colocar “um rumo” ao país, derrubando o governo de João Goulart, explicou Rêgo Barros.

Durante sua campanha eleitoral à Presidência, Bolsonaro elogiou o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel que chefiou o DOI-Codi, órgão de repressão do regime militar. Bolsonaro também já afirmou que ditadura militar brasileira deveria ter “matado [mais pessoas] do que matou”.

Em 2011, Dilma, ex-militante torturada pelo regime militar, orientou as Forças Armadas a suspenderem qualquer atividade para lembrar a data. Desde então, as celebrações estavam suspensas nos quarteis.

A hashtag #DitaduraNuncaMais já é o assunto mais comentado no Twitter. Há uma mistura de indignação, volta de lembranças do regime ditatorial e crítica à decisão do presidente do Brasil. (pulsar/opera mundi)

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