Banco de dados preserva memória de 74 mil perseguidos políticos


(imagem: reprodução)

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Pesquisadores de violações de direitos humanos no Brasil têm um novo instrumento de trabalho, o Laboratório de Tecnologia para Pesquisa em Memória e Direitos Humanos. Trata-se de um supercomputador que armazena os documentos de 74 mil pessoas que relataram perseguição política entre os anos de 1946 e 1985. São 10 milhões de páginas digitalizadas.

Para a presidenta do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, Victoria Grabois, a iniciativa é importante, mas ainda há muito o que fazer, principalmente em relação aos desaparecidos políticos. Segundo ela, até hoje não se sabe o paradeiro de 160 brasileiros considerados desaparecidos.

O equipamento cruza as informações dos documentos e gera inúmeros dados. O sistema chegou a ser usado para desvendar casos de lavagem de dinheiro e foi adaptado. De acordo com o presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, é a mais moderna aparelhagem de apuração de informações, de pesquisa, de organização de dados, e que agora também será disponibilizada para os fins de promoção da cidadania e da memória.

O laboratório já foi testado por três pesquisadores, em estudos que demonstram como funcionava a violência cometida pelo Estado, principalmente durante a ditadura militar. Os estudos concluem que essa violência ainda existe. Para o presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Roberto Caldas, a violência de hoje tem tudo a ver com a violência não punida no passado e a impunidade leva à repetição.

O acesso ao supercomputador do Laboratório de Direitos Humanos ainda não está aberto, porque todos os documentos são confidenciais. A Comissão de Anistia pretende lançar um edital ainda neste ano, para selecionar instituições que terão acesso ao sistema. (pulsar/combate racismo ambiental)

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