Ato reconstrói grafites de Marielle Franco e Maria da Penha no Rio de Janeiro


(foto: Clívia Mesquita)

Depois daquela noite de março em 2018, quando a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram vítimas de uma emboscada no centro do Rio de Janeiro, diversas intervenções por toda cidade cobram a elucidação do crime. Na última segunda-feira (14), em que os assassinatos completaram 10 meses, a pergunta “quem matou e quem mandou matar Marielle e Anderson?” continua sem resposta.

“As autoridades não se colocam de forma efetiva, só com depoimentos vazios, chamando o caso de avançado quando a gente já tem mais de 300 dias. Não vejo avanço nisso”, cobrou Monica Benício, arquiteta e companheira de Marielle, no início do ato que ela chamou de “Resistência Sapatão”.

Uma homenagem pela memória e justiça de Marielle Franco aconteceu durante a visita da paquistanesa Malala Yousefzai ao Brasil, em julho do ano passado. A mais jovem vencedora do Prêmio Nobel da Paz e ativista pelo direito das meninas usou a técnica de pintura em spray com molde, o stencil, para grafitar o rosto da parlamentar assassinada.

Cinco meses depois, o grafite amanheceu vandalizado junto com a arte que homenageava Maria da Penha, símbolo da luta de combate à violência doméstica. A ação de um homem foi flagrada por câmeras no dia 10 de dezembro, quando é celebrado o Dia dos Direitos Humanos. A reconstrução das artes ficou por conta de Monica Benício, usando a mesma técnica stencil.

Não é a primeira vez que esse tipo de ataque contra a memória de Marielle acontece. Em outubro, dois deputados pelo mesmo partido do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) apareceram, em ato de campanha, rasgando a placa de rua com o nome da parlamentar. Em resposta, naquele mesmo mês, mais de mil e 500 pessoas contribuíram para confeccionar mil réplicas distribuídas na Cinelândia, no centro da cidade. Desde então, mais de 20 mil placas estão espalhadas ao redor do mundo, segundo Monica.

Em São Paulo, um painel com a foto ampliada de Marielle Franco também foi vandalizado duas vezes e reconstruído. “Eles vão vandalizar uma, a gente vai refazer mil porque amor é resistência e a gente é incansável em lutar pelo nosso direito de amar livremente”, finaliza Monica. (pulsar/brasil de fato)

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