Ataque a camponeses no Pará é o terceiro na Amazônia com mortes em 12 dias


(foto: reprodução)

Um tiroteio em um acampamento de agricultores no Pará, ocorrido na quarta-feira (3), elevou para onze o número de vítimas de conflitos no campo em 2019. O assassinato de um camponês ainda não identificado ocorreu nas proximidades da Vila de Mocotó, entre os municípios de Altamira, Anapu e Senador José Porfírio, durante um despejo sem ordem judicial. A ação deixou três camponeses feridos e provocou a morte de um sargento da Polícia Militar, Valdenilson Rodrigues da Silva. O crime foi o terceiro do tipo em menos de duas semanas.

Altamira é um município gigante no sul do Pará. Maior que a Inglaterra, por exemplo. É lá que fica a Usina de Belo Monte. Anapu foi o cenário da execução da missionária Dorothy Stang, em 2005.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) trabalha com o conceito de “tentativa de massacre” para esse caso e para um dos ataques anteriores, no Amazonas. Em ambos vários camponeses foram feridos, com um morto em cada crime.

O primeiro crime dessa série recente aconteceu no Pará. Com dois massacres sucessivos. Na madrugada do dia 22 de março, três camponeses do assentamento Salvador Allende, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em Baião, no Pará, foram assassinados a mando do fazendeiro Fernando Ferreira Rosa Filho, preso alguns dias depois pela Polícia Civil do estado. Entre as vítimas estava Dilma Ferreira Silva, coordenadora regional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Em seguida, foram descobertos os corpos de três funcionários de Fernando, na mesma madrugada, em fazenda dele no mesmo município.

De acordo com a investigação da Polícia Civil, a disputa por terras motivou os assassinatos de Dilma, seu marido e seu vizinho. Fernando pretendia construir uma pista de pouso clandestina na área onde hoje fica o assentamento, antiga Fazenda Piratininga, demarcada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 2011. O mandante já havia sido denunciado por crimes de grilagem de terras e tráfico de drogas.

A segunda tentativa de massacre do ano ocorreu igualmente na Amazônia, na noite do sábado. Pistoleiros invadiram o Seringal São Domingos, localizado no município de Lábrea, extremo sul do Amazonas, região próxima à tríplice divisa entre o estado, o Acre e Rondônia. O município está localizado em uma das fronteiras do desmatamento na região.

O ataque deixou pelo menos uma vítima: o líder das famílias de posseiros, Nemis Machado de Oliveira, velado e sepultado na segunda-feira (1). Os pistoleiros atearam fogo às casas. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), dezenas de famílias fugiram em pânico para a floresta. Até a manhã da terça-feira (2) várias pessoas continuavam desaparecidas. (pulsar/de olho nos ruralistas)

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