Associação de juristas pede afastamento de procuradores da Lava Jato após vazamentos


Deltan Dallagnol (foto: José Cruz/Agência Brasil)

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) entregou e protocolou na última quarta-feira (3), no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), uma reclamação disciplinar contra os procuradores Deltan Dallagnol, Carlos Fernando dos Santos Lima e demais integrantes da força-tarefa da operação Lava Jato, que foram flagrados agindo em conluio com o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro.

“Esperamos que o CNMP acolha a manifestação da sociedade civil, diante da avalanche de fatos que exigem investigação. O que está em jogo não é apenas as condutas dos procuradores da República, mas, a depender de como reaja o Conselho, a própria instituição Ministério Público Federal”, diz a Associação.

A Associação requere que o CNMP afaste imediatamente, de forma cautelar, os integrantes da força-tarefa da operação Lava Jato. A preocupação tem a ver com o risco de adulteração e ocultamento de  provas enquanto se dá a apuração dos fatos revelados pelo The Intercept Brasil, no que está sendo considerado o maior escândalo do judiciário brasileiro.

A troca de mensagens, segundo a ABJD, extrapola as funções legais de cada um, assim como o afastamento de uma procuradora, a inversão da ordem de operações e a indicação de testemunhas, e demais ações coordenadas por Sérgio Moro e executadas pelos procuradores e são “exemplos apontados que demonstram atitudes de servidores públicos com ânimo de usar o sistema de justiça e o Poder Judiciário apenas como pano de fundo de uma ação política coordenada”.

“Promotores e procuradores não podem agir conforme seus interesses particulares (políticos, morais, de cunho preconceituoso etc.), mas, sim, de acordo com o interesse público e social”, diz a nota.

A Associação reforça também que é “absurda, abusiva e inaceitável a resposta ofertada em nota pelos membros do Ministério Público da Força Tarefa que a princípio não negaram a autoria dos diálogos e tentaram conferir uma aparência de legalidade e legitimidade, atacando a divulgação.” (pulsar/brasil de fato)

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