Após uma década de queda na desigualdade, milhões retornam à miséria


(foto: Guilherme Santos/Sul21)

Após uma década de uma redução jamais vista na desigualdade, o Brasil cava, de novo, o fosso social que sempre caracterizou a sua história. Em dois anos, quase dois milhões de indivíduos passaram a enfrentar o drama da miséria. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aqueles que vivem abaixo da linha de pobreza extrema, cujos ganhos não passam do equivalente a sete reais diários, saltaram de 13 milhões e meio em 2016 para 15 milhões e 200 mil no ano seguinte. Se consideradas as famílias que vivem com menos de 406 reais por mês, o total subiu de 53 milhões e 700 mil para 55 milhões e 400 mil.

Este é o contigente de miseráveis lançados à própria sorte em um país que optou por desmantelar as tênues redes de proteção social desde o impeachment de Dilma Rousseff. Melhor para a porção abastada do Brasil.

Um estudo publicado em junho pelo Instituto Brasileiro de Economia, ligado à Fundação Getúlio Vargas, mostra que nos últimos três anos o desemprego arrasou os ganhos dos mais pobres e ampliou a desigualdade no mercado de trabalho. De lá para cá, a renda dos dez por cento mais ricos cresceu 3,3 por cento. Já a fatia mais vulnerável da população amarga uma perda acumulada de mais de 20 por cento.

Só em São Paulo, o número de indivíduos em situação de rua abordados pelos assistentes sociais da prefeitura cresceu 66 por cento. Ao longo de todo o ano passado, segundo esses dados, ganharam as ruas mais de 105 mil pessoas. Esses são os indicadores mais recentes da explosão nas ruas da capital paulista. Em 2015, o Censo calculava 16 mil moradores de rua. Naquele mesmo ano, os abordados foram mais de 56 mil. Hoje, as projeções mais recentes estimam que esse total ultrapasse os 25 mil. Quase mil seriam crianças.

O fenômeno repete-se em outras capitais. Embora não haja uma metodologia unificada, é consenso entre assistentes sociais, ativistas e representantes do poder público que explodiu o número daqueles que enfrentam a face mais extrema da miséria urbana. Em Porto Alegre, a gestão municipal estima em quatro mil os moradores nas ruas, o dobro do registrado em 2016. Em Curitiba, são pouco mais de dois mil, 50 por cento a mais do que havia há três anos. No Recife, o levantamento mais recente contou mil e 200. O Ministério Público de Pernambuco diz, porém, que eles passam de três mil. (pulsar/carta capital)

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