Após remoções para Transolímpica, Prefeitura do Rio descumpre acordo e deixa moradores endividados


(foto: reprodução)

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Quando foram removidos à força por causa da construção da Transolímpica, os ex-moradores da rua Ipadu, das comunidades São Sebastião e Vila União de Curicica – na zona Oeste do Rio –, não tiveram muitas opções. As remoções começaram em 2014 e as mudanças ocorreram no começo de 2015. Alguns receberam a oferta de uma indenização que não lhes possibilitaria comprar um imóvel na região, mas a maioria aceitou sair da sua casa em troca de um apartamento num dos condomínios construídos pelo programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, administrado pela prefeitura.

O processo de remoção, com a notificação dos moradores, começou em 2013 para dar lugar à via Transolímpica, considerada um dos legados dos Jogos Olímpicos no Brasil. Formada por duas pistas de três faixas, sendo uma exclusiva para o BRT (Bus Rapid Transport), a via irá conectar os bairros Deodoro e Barra da Tijuca. A administração é do Consórcio Via Rio, composto pela CCR, Odebrecht e Invepar. Em contrato com a Prefeitura, o consórcio ficou responsável pelo cadastro das famílias a serem removidas, pela demolição das casas e pela mudança dos moradores.

Depois de mais de um ano morando nos condomínios, os moradores contam que até hoje não têm cópia dos contratos dos apartamentos. Além disso, há cerca de seis meses, alguns moradores começaram a receber cartas de cobrança do Banco do Brasil, que financiou a construção do condomínio, avisando que têm uma dívida de 75 mil reais. O clima é de medo, insegurança e indignação. Muitos moradores temem perder a casa porque não têm como provar que são donos dos apartamentos.

A Secretaria de Habitação da Prefeitura do Rio de Janeiro afirmou, em nota, que o imbróglio se deu por um atraso do banco na liberação das informações das prestações dos contratos. A secretaria diz que “o pagamento das prestações dos imóveis das famílias reassentadas no Condomínio Colônia Juliano Moreira está sendo regularizado”. Após “entendimentos” entre o Banco do Brasil e o órgão público, a informação é que “a questão está equacionada para que o repasse seja realizado”. (pulsar/agência pública)

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