Após construção da barragem de Serro Azul, comunidade de Palmares (PE) está sob risco


(foto: Marcos Barbosa)

(foto: Marcos Barbosa)

A construção da barragem Governador Eduardo Campos alterou totalmente a dinâmica da comunidade de Serro Azul, distrito localizado às margens do Rio Una e pertencente ao município de Palmares, em Pernambuco. O enorme paredão foi erguido a menos de 300 metros de distância da grande maioria das casas, quando o raio de proteção indicado é de, no mínimo, 500 metros.

Ainda em fase de testes e acabamento hidráulico e elétrico, a barragem possui uma capacidade de 303 milhões de metros cúbicos e conseguiu conter 80 milhões, evitando que a tragédia decorrente das chuvas deste ano fosse ainda maior. A obra custou 500 milhões de reais e é a única, das cinco barragens prometidas, já construída após a “Operação Reconstrução”, parceria realizada entre o governo federal, estado e municípios.

Segundo João Faustino da Silva, presidente da associação de moradores da comunidade, em 2011, representantes do governo entraram em contato com os habitantes da região porque existia o projeto de construção de uma barragem, que tinha que ser feita para evitar nova cheia, como a ocorrida em 2010. A população concordou que fosse feita a barragem, mas apresentou uma proposta de compensação, de terra por terra e casa por casa, em local seguro.

A barragem começou a ser construída e, quando a obra chegou a 80 por cento, a população ainda não havia sido reassentada. De acordo com Elson José da Silva, técnico em enfermagem residente do distrito de Serro Azul e que fez parte do coletivo de negociação da barragem, os acordos se arrastaram por muito tempo e, no início de 2016, foi informado aos habitantes que eles não seriam mais indenizados, nem seriam retirados da zona de risco próxima ao paredão da barragem.

Ainda segundo Elson, apenas a Rua da Ponte está pronta e laudada para ser paga. A rua tem 66 residências, 58 delas fecharam negociação, acertaram tempo de desocupação do imóvel e forneceram dados bancários, mas até hoje o governo não deu resposta de por que essas pessoas ainda não foram indenizadas. O morador afirma que dentro desse raio de segurança existem outras ruas ameaçadas.

A agrovila prometida contaria com cerca de 300 residências e serviços públicos como delegacia, posto de saúde, praça, academia da cidade rural, saneamento básico, asfaltamento, iluminação, além de uma réplica da casa de Hermilo Borba Filho, escritor nascido na região, que funcionaria como cinema da cidade.

O arquiteto e urbanista Nei Dantas, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que participou da Operação Reconstrução em 2010, defende que a realocação das famílias em uma agrovila é uma saída possível para solucionar o problema, desde que não seja longe do lugar onde vivem atualmente. Nei defende, também, que essa iniciativa deve vir acompanhada de suporte técnico em agricultura, para que essas famílias consigam sobreviver no campo e não sintam a necessidade de migrar para as periferias das cidades. (pulsar/brasil de fato)

 

Faça um comentário

6 + 2 =