Aplicativo “Fogo Cruzado” vai mapear tiroteios na Cidade Olímpica


(foto: reprodução)

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A um mês da Rio 2016, Anistia Internacional lança plataforma digital colaborativa para mapear o uso de armas de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro. A partir desta terça-feira (5), a ferramenta dá visibilidade à rotina de tiroteios e violência armada com a qual os moradores do Rio e Grande Rio convivem. O aplicativo “Fogo Cruzado” está disponível para download gratuito para os sistemas Android e IOS. Ao preencher um formulário simples e seguro, qualquer cidadão pode registrar a ocorrência. A informação é transformada pelo aplicativo em uma notificação no mapa disponível no site www.fogocruzado.org.br.

A ideia para o aplicativo surgiu de pesquisas autônomas que contabilizaram tiroteios no Rio de Janeiro no ano de 2015 por meio de informações disponíveis na imprensa, boletins policiais e redes sociais. Mesmo com a cobertura parcial das ocorrências de uso de arma de fogo, já que nem todos os tiroteios são divulgados, um levantamento do jornal Voz das Comunidades apontou que no Complexo do Alemão houve 100 dias seguidos de tiroteio em 2015. Isto confirma a necessidade de abrir um canal de visibilidade para a alta incidência de uso de arma de fogo em determinadas áreas da cidade.

Os dados acumulados pelo “Fogo Cruzado” serão divulgados em mapas e análises abertos a consultas de autoridades, pesquisadores, imprensa e lideranças locais. O aplicativo vai funcionar em modo de testes até dezembro de 2016 nas comunidades Jacarezinho, Manguinhos, Complexo da Maré, Complexo do Alemão, Acari, Cidade de Deus e Morro Agudo (Nova Iguaçu), com a perspectiva de ser aprimorado a partir das informações acumuladas nos primeiros seis meses de funcionamento.

De acordo com Cecília Olliveira, pesquisadora e gestora de dados do Fogo Cruzado, o aplicativo vai dar elementos para um tipo de abordagem no debate sobre segurança pública que até então era desconsiderado: quantos são, onde ocorrem e qual o impacto dos tiroteios na vida das pessoas que vivem na cidade do Rio de Janeiro. Para ela, a ferramenta é para que a população mais afetada pela lógica da guerra mostre, de forma segura, todas as vezes em que é colocada em risco.

A pesquisadora esclarece que já existem ferramentas com a finalidade de fazer denúncias, como o aplicativo NósPorNós e o site Defezap, mas reitera que o objetivo desta nova iniciativa é ter uma ‘fotografia’, um mapa colaborativo da violência armada na cidade que sirva de fonte para uma ampla discussão sobre violência armada e suas consequências no dia a dia da cidade.

O lançamento do aplicativo “Fogo Cruzado” faz parte da campanha “A violência não faz parte desse jogo!“, lançada pela Anistia Internacional em junho e que exige medidas preventivas para evitar violações de direitos humanos nas operações de segurança pública no Rio de Janeiro. (pulsar/anistia internacional)

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