Aécio vira réu em inquérito baseado na delação da JBS


Aécio Neves (foto: arquivo/Agência Senado)

Aécio Neves (foto: arquivo/Agência Senado)

A 1ª turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade transformar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) em réu no inquérito baseado na delação da JBS. Votaram a favor do recebimento integral da denúncia por corrupção e obstrução à Justiça os ministros Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux.

Alexandre de Moraes, ex-ministro do governo Temer e ex-filiado ao PSDB, divergiu da maioria em relação à denúncia de obstrução à Justiça contra Aécio. Segundo ele, trata-se de uma imputação genérica.

Segundo Marco Aurélio, estão presentes os requisitos exigidos pelo Código de Processo Penal para o recebimento da denúncia. Barroso afirmou que, no universo dos negócios lícitos, empréstimos jamais são feitos em dinheiro vivo.

Aécio é acusado de pedir dois milhões de reais em propina e tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. O senador foi gravado por Joesley Batista, um dos donos da JBS. Em uma das conversas, Aécio defende ao empresário a substituição de Osmar Serraglio, então ministro da Justiça, por um nome que interferisse na direção da Polícia Federal.

Joesley também gravou Aécio a pedir o valor de dois milhões de reais, sob justificativa de pagar seus advogados para sua defesa dos casos da operação Lava Jato. O primo do senador, Frederico Pacheco, foi filmado enquanto recebia a quantia.

Antes do julgamento do mérito, os ministros da 1ª turma votaram sobre o desmembramento do inquérito para os envolvidos no caso que não possuem foro privilegiado, caso de Andreia Neves, irmã do parlamentar, Mendherson Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG) e Frederico Pacheco, primo do senador.

Moraes, Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux defenderam que os fatos investigados no inquérito estão interligados e devem ficar no âmbito do STF. Apenas Marco Aurélio Mello votou pelo desmembramento.

O pedido da defesa de Aécio para anular o processo devido à participação do ex-procurador Marcelo Miller na negociação da delação da JBS também foi rejeitada por unanimidade pelos ministros da turma. (pulsar/carta capital)

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