A um mês para as Olimpíadas, dívidas já estão entre os legados


(foto: reprodução)

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Desde a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, passando pela Copa do Mundo, em 2014, até as Olimpíadas, neste ano, movimentos sociais e coletivos organizados contra os impactos dos megaeventos têm denunciado o aumento da violência contra a população nesses períodos (com despejos e maior militarização nas favelas) e a falta de transparência na gestão da preparação das cidades-sede, gerando desequilíbrio no orçamento público e negando à população o direito a serviços básicos.

A economista Sandra Quintela afirma que não é contra os Jogos Olímpicos, mas contra a forma como os megaeventos chegam às cidades e barram as demandas reais e concretas da população. Sandra é coordenadora do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS) e membro do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Neste sentido, o episódio mais recente foi a concessão de um crédito de quase três bilhões de reais, autorizado pelo presidente interino Michel Temer na última quarta-feira (29), destinados à Segurança Pública dos Jogos Olímpicos. O estado do Rio de Janeiro atravessa uma gravíssima crise econômica, e essa medida, de caráter provisório, foi tomada após o governo fluminense decretar “estado de calamidade pública” pela sua falência financeira.

Há, porém, contradições. Apesar de a crise dificultar, por exemplo, o pagamento do salário dos funcionários públicos e demandar ajustes nos orçamentos da educação e da saúde, os gastos com o megaevento olímpico alcançaram 37 bilhões e 600 milhões de reais, 10 bilhões a mais do que o previsto quando o Brasil se candidatou.

O governo de Rio de Janeiro nega que a crise do estado seja originada pelos Jogos e alega que as dificuldades financeiras se devem à crise geral e à baixa no preço do petróleo, e que a grande maioria dos gastos das obras foi financiada com recursos de Parceria Público Privada (PPP). Segundo dados da prefeitura, só 43 por cento dos gastos provém do orçamento público, enquanto 57 por cento vem de PPP.

Contudo, o PACS adverte que com essas parcerias, o estado deixa de arcar sozinho com os custos, mas também deixa de receber os lucros. A partir destas PPPs, o governo garante ao capital privado rendas por períodos de cinco a 35 anos. Ou seja, além de ser outra forma de privatização dos serviços e responsabilidades públicas, aparenta desonerar o gasto público no curto prazo, mas o compromete a longo prazo.

Para Sandra Quintela, “os governadores passam a ser gerentes dos interesses desse capital, que tem um papel fundamental nas cidades por causa da grande especulação imobiliária, ou seja, para a expansão das fronteiras do mercado imobiliário e de terras. Então, viver na cidade fica, realmente, em último lugar”. (pulsar/brasil de fato)

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