61,5 milhões de brasileiros não devem se aposentar


(foto: arquivo/EBC)

A Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar) divulgou estudo sobre o comportamento dos brasileiros em relação à aposentadoria, mostrando um quadro preocupante: apenas 13 por cento da população afirmaram poupar dinheiro. Somam-se a isso as incertezas sobre a previdência pública, além das fragilidades do trabalho (impostas, especialmente, com a reforma trabalhista).

A grande razão está na baixa renda dos brasileiros. Dos 150 milhões de pessoas com mais de 16 anos, 112 milhões declaram ter dívidas. Mais de 94 milhões afirmam que suas rendas não são suficientes para viverem de forma adequada. De acordo com a Anapar, o quadro é de “desalento previdenciário”. Entre os endividados, 61 por cento  nem sequer contribuem para a Previdência Social, e não podem contar com benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) como auxílio doença ou aposentadoria por invalidez.

A informalidade é um dos grandes problemas. De acordo com a pesquisa, mais de 97 milhões de pessoas realizam atividade remunerada, entretanto, 52 por cento destes são trabalhadores informais, fazem bico ou são os chamados “freelancers”. Este panorama tende a ser intensificado com os efeitos da reforma trabalhista e o aprofundamento de políticas que fragilizam as relações de trabalho, como a proposta do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), de aplicar uma “nova carteira de trabalho verde e amarela”, aonde o trabalhador terá menos direitos.

“Todo esse contexto produz no brasileiro um raciocínio mais imediatista e uma falta de perspectivas sobre projetos pessoais de longo prazo, como é o caso da aposentadoria”, afirma a Anapar. “Sem a certeza do emprego no longo prazo, necessidades mais urgentes impedem essas pessoas de contribuir mensalmente com a Previdência. Ficam sujeitas à grave combinação de renda insuficiente e endividamento”, completa.

A pesquisa realizou entrevistas com 2.045 pessoas a partir de 16 anos em 152 municípios. (pulsar/rba)

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