38 marcas de moda estão envolvidas com trabalho escravo no Brasil


(imagem: reprodução)

A Amissima, que comercializa luxuosos vestidos, entrou para o grupo de outras 37 marcas que utilizaram mão de obra análoga à escravidão. Todas as informações sobre elas estão no aplicativo Moda Livre, disponível no Google Play e na Apple Store, que avalia desde 2013 as ações adotadas para combater o trabalho escravo entre os fornecedores e que foi atualizado recentemente.

A fiscalização do Ministério do Trabalho resgatou 14 trabalhadores em duas oficinas que produziam roupas para a Amissima. A operação, realizada em novembro de 2018, constatou que a jornada chegava a 14 horas diárias, que os trabalhadores não tinham carteira assinada e recebiam menos do que o salário mínimo. Em nota, a empresa afirmou que não compactua com ofensas à lei trabalhista e pediu desculpas aos que se sentiram lesados pelo caso.

Procurada pelo Moda Livre, a Amissima se negou a informar se adota medidas para combater a precarização trabalhista em sua cadeia de fornecimento.

Das 132 marcas atualmente avaliadas pelo aplicativo, mais de 40 por cento estão na mesma situação.

Criado em 2013, o Moda Livre avalia as ações adotadas por marcas e varejistas para combater o trabalho escravo entre fornecedores. Também tem dados atualizados sobre as grifes responsabilizadas por esse crime durante fiscalizações do governo federal. As informações do aplicativo mostram que grande parte do varejo de moda no Brasil ainda não controla adequadamente os locais onde as suas roupas são fabricadas.

Além da recém-flagrada Amissima, a atualização do aplicativo inclui informações sobre as políticas de monitoramento adotadas por dez novas empresas: Ateen, Canal Concept, Carmen Steffens, Cia. Marítima, Enjoy, Fillity, Maria Filó, Mixed, Tig – Renata Figueiredo e Zapalla.

Mais de 400 costureiros e costureiras foram encontrados em condições análogas às de escravos no Brasil. A maioria dos casos ocorre em pequenas confecções terceirizadas. As vítimas mais comuns são migrantes sul-americanos que trabalham em oficinas em condições degradantes.

Apesar dos recorrentes problemas, o Moda Livre também mostra que ações de transparência estão crescendo entre alguns varejistas. Nomes do mercado brasileiro como C&A,  Marisa e Reserva passaram a divulgar a relação de fornecedores em seus sites. Já a Americanas e a Pernambucanas imprimem nas etiquetas o nome do fabricante das peças.

O aplicativo não recomenda que o consumidor compre ou deixe de comprar de determinada marca ou loja, apenas garante informação e transparência. (pulsar/repórter brasil)

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