Prisões de manifestantes na chegada do papa foram arbitrárias e ilegais


O protesto lembrou do morador da favela Rocinha que desapareceu há mais de uma semana, após ser levado pela polícia. Amarildo está sumido há mais de uma semana. (Foto: Coletivo Foto Expendido)

O protesto lembrou do morador da favela Rocinha que desapareceu após ser levado pela polícia do Rio. Amarildo está sumido há mais de uma semana. (Foto: Coletivo Foto Expendida)

Bruno Ferreira Telles, de 25 anos, foi libertado nesta terça-feira (23). O jovem ficou privado de liberdade por  pelo menos 15 horas, após ser detido em uma manifestação que acontecia a uma quadra de onde o papa Francisco era recebido por autoridades.  Outras oito pessoas também foram presas pela polícia militar.

O conflito  começou por volta das 20h nos arredores do Palácio Guanabara, sede do governo estadual. Antes, a iluminação pública caiu três vezes, o que levou tensão aos cerca de 1500 presentes. Dois repórteres da Mídia Ninja foram presos enquanto transmitiam ao vivo pela internet. O ato foi considerado censura e levou a manifestação a seguir para porta da delegacia.

Lá, a Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio de Janeiro trabalhava para libertar os detidos. De acordo com o advogado Gustavo Proença, que compôs o grupo, “as prisões que têm ocorrido nos protestos do Rio são arbitrárias e ilegais”. Por isso, ele explica, “a Comissão tem obtido sucesso na liberação dos acusados”.

Palmas e gritos de apoio recebiam os manifestantes detidos, que foram liberados entre 22h30 e 2h da manhã. Um deles, acusado de formação de quadrilha mesmo sem provas, só conseguiu ser solto após pagamento de fiança. Os 1 mil reais exigidos foram arrecadados entre os manifestantes.

Apenas Bruno, acusado de porte de explosivo e desacato à autoridade, permaneceria preso. O pedido de liberdade foi negado pelo juiz do plantão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Com isso, os advogados solicitaram o habeas corpus, que foi aceito hoje. Em entrevista à Pulsar Brasil, Proença destacou que a OAB repudiou a posição da polícia ao afirmar que os advogados atrapalharam o trabalho da corporação. Ele ressalta que o objetivo foi garantir direito à manifestação e presar pelo Estado democrático de direito. (pulsar)

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