Pobreza na Argentina atinge um terço da população urbana


Macri (foto: Marcos Brindicci/Reuters)

A inflação elevada e a recessão econômica na Argentina elevaram o índice de pobreza urbana do país para 32 por cento no segundo semestre de 2018, uma alta de 4,7 pontos percentuais ante a primeira metade do ano, é o que mostraram dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) na última quinta-feira (28). É o número mais alto desde a crise econômica de 2001.

Na comparação com o segundo semestre de 2017, a pobreza urbana cresceu 6,3 pontos percentuais no país. São quase nove milhões de argentinos vivendo nessa situação.

Além disso, 6,7 por cento da população, ou um milhão e 800 mil pessoas, vive abaixo do nível de indigência, um crescimento de 1,8 ponto percentual ante o semestre anterior.

São números que “doem”, admitiu o governo argentino. “A pobreza dói, claramente. Hoje é um dia triste, como foi ontem, como foi um ano atrás, porque lamentavelmente a pobreza é alta na Argentina há muitos anos”, disse a ministra de Desenvolvimento Social, Carolina Stanley.

Stanley afirmou que o governo do presidente Mauricio Macri, que chegou à Presidência no fim de 2015 com promessas de “pobreza zero”, trabalha “todos os dias para reverter essa situação” com ações focadas em dar “dignidade” a “cada uma das pessoas e cada uma das famílias que vivem assim”.

Um grupo de sindicalistas se manifestou às portas do Indec contra a política econômica de Macri e distribuiu 500 quilos de pão de graça, rejeitando simbolicamente o aumento da pobreza.

O empobrecimento da população coincide com a aceleração da inflação, que encarece a cesta básica e serviços utilizados para medir a linha de indigência e pobreza.

O relatório publicado na última quinta é o sexto sobre pobreza realizado pelo Indec desde que Macri chegou ao poder. Além disso, esta é a segunda vez nos últimos três anos que o instituto registra uma alta no índice de pobreza.

Apesar disso, Macri, que pode disputar a reeleição em outubro, assegurou na quarta-feira à mídia local que o governo “está no caminho correto”. (pulsar/opera mundi)

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