Perito do Carandiru afirma que policiais modificaram cena do crime


O Massacre ocorreu há 20 anos e envolveu 111 vítimas. (reprodução)

O Massacre ocorreu há 20 anos e envolveu 111 vítimas. (reprodução)

A segunda etapa do julgamento do Massacre do Carandiru continua nesta terça-feira (30) com depoimentos de testemunhas de defesa. Ontem os trabalhos ouviram as testemunhas de acusação. O perito criminal Osvaldo Negrini Neto reafirmou que ação dos policiais foi violenta e desnecessária.

Ele classificou o episódio como “morticínio”. De acordo com o especialista, “não há nenhuma prova técnica de que houve disparo contra os policiais” e que não é possível dizer que a repressão foi “em legítima defesa”. Destacou que muitos presos foram alvejados quando estavam ajoelhados ou deitados nas celas. Houve tiros a menos de 40 centímetros do chão.

O julgamento do Massacre foi desmembrado em quatro etapas, que vão tratar sobre as violações de direitos humanos ocorridas em cada um dos quatro pavimentos do Pavilhão 9 da antiga Casa de Detenção de São Paulo. O julgamento de agora trata do que ocorreu no terceiro pavimento e envolve a morte de 73 presos.

A advogada de defesa dos policiais tentou desqualificar o laudo de Negrini e insistiu na tese de que não é possível provar que os mortos estavam no terceiro pavimento, já que os corpos foram levados para o andar de baixo. Além disso, afirmou que havia ocorrido disparos de dentro para fora das celas.

Negrini, por sua vez, tachou essa última informação como “falsa”. Ele denunciou que houve intenção de modificar a cena dos fatos para dificultar a perícia. Em função da falta de luz, ele não pôde realizar seu trabalho em todo o prédio no mesmo dia do Massacre. Apenas dias depois, quando o pavilhão já havia sido lavado, ele pôde entrar.

O Massacre do Carandiru, ocorrido em 2 de outubro de 1992, envolveu 111 vítimas. Na primeira fase do julgamento, realizada em abril, três policiais foram absolvidos e 23 condenados. Cada um pegou 156 anos de prisão. (pulsar/brasilatual)

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