Papa receberá rosário com nomes de jovens assassinados em chacinas


Por causa da visita do papa, a vigília foi realizada no último dia 18. (Foto: Fernando Frazão/ ABr)

As mães da Candelária, cujos filhos foram assassinados há 20 anos – data lembrada nesta semana – pretendem entregar ao papa Francisco um Rosário especial nesta sexta-feira (26). Em cada conta está escrito o nome de uma criança ou jovem assassinado em chacinas na cidade do Rio de Janeiro.

O Rosário é uma corrente com 167 contas (ou nós) utilizados pelos devotos da Virgem Maria para contar orações seriadas. Segundo Fátima Silva, da Pastoral do Menor do Rio de Janeiro, a entrega do Rosário foi a maneira encontrada para pedir justiça  e marcar os 20 anos do crime. Todos os anos elas realizam uma missa no dia 23 de julho, com vigília e caminhada. Mas este ano, por causa da visita do Papa, o evento foi adiantado.

Fátima disse que as mães e a Pastoral do Menor têm exigido do Estado justiça e reparação, “já que não se pode devolver os filhos”. Ela lembra que “o número de mães vai crescendo na caminhada, porque foram quase dez chacinas depois da que aconteceu na Candelária”. Reforça, ainda, que existem “muitos casos de meninos mortos dentro de Unidades de Internação”.

Em 23 de julho de 1993, oito jovens foram assassinados perto da Igreja da Candelária, no Centro do Rio. Eles faziam parte de um grupo de 70 pessoas que dormia no local. Três policiais militares foram condenados, passaram alguns anos na cadeia, mas hoje estão livres. Fátima afirma que as mães das vítimas “realmente precisam de uma resposta e não ficarão caladas”.

O papa deve receber o Rosário das mães de Realengo, cujos filhos foram assassinados em 2011. Eles estavam na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio,  quando um rapaz entrou atirando. Um grupo de oito jovens internados no Departamento Geral de Ações Sócio-Educativas (Degase) também deve estar com o papa Francisco.

Sobre o pontífice, Fátima Silva espera que ele seja “transformador” e traga mudanças “até radicais” para a Igreja Católica. Avalia que “algumas denominações da Igreja estavam indo num caminho de oração, claro, mas sem a prática”. Acredita que Francisco “veio para acolher as pastorais”, que têm uma “linguagem de estar no território, com pé no chão”.

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