Número de assassinatos no país pode ser 18% superior ao indicado em registros oficiais


Estudo investigou cada uma das mortes classificadas como "indeterminadas". (imagem: reprod.)

Estudo averiguou todas as mortes classificadas como “indeterminadas”. (imagem: reprod.)

O Mapa dos Homicídios Ocultos indica que as estatísticas oficiais foram incapazes de identificar, entre 1996 e 2010, a causa de 174 mil mortes violentas no país. Dessas, 74% se tratavam de homicídios. O recente estudo foi lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Os resultados indicam que cerca de 8 mil e 600 assassinatos não são reconhecidos a cada ano.  Para realizar a pesquisa, foram utilizados dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. O trabalho avaliou todas as mortes violentas classificadas como de “causa indeterminada”.

Daniel Cerqueira, responsável pelo estudo, explica que a falta de comunicação entre os órgãos responsáveis na determinação das causas das mortes é um dos mais graves problemas. Outro seria a descaracterização da cena de acidentes ou crimes. Cerqueira destaca que este é um “ponto sério” que tem a ver com falta de treinamento, mas também com um incentivo ao desmantelamento de provas. Afirma que isso ocorre, muitas vezes, por conta do envolvimento da própria polícia nas mortes.

O Mapa demonstra que dados não precisos geram leituras equivocadas. Em Sergipe, por exemplo, os registros oficiais reconheceram o aumento de homicídios em quase 128%. No entanto, o estado teve, na realidade, uma melhora nos registros. Por isso, nas estimativas do Ipea tal crescimento foi de apenas 4,5%.

Por outro lado, alguns estados apresentaram aumento das mortes violentas cuja intenção não foi determinada, o que pôde ser observado na Bahia, em Minas Gerais, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, em Roraima e em São Paulo. (pulsar/brasilatual)

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