Na periferia, comunicação comunitária é sinônimo de resistência e memória social


Roda de conversa sobre Comunicação, Cultura e Direitos Humanos no I Encontro Latino-Americano de Comunicação Comunitária (foto: Jaqueline Deister)

Roda de conversa sobre Comunicação, Cultura e Direitos Humanos no I Encontro Latino-Americano de Comunicação Comunitária (foto: Jaqueline Deister)

Memória, narrativa e uma outra forma de pensar e fazer comunicação. Todos esses temas estiveram presentes na roda de conversa sobre ‘Comunicação, Cultura e Direitos Humanos: a voz das favelas, comunidades e periferias da América Latina’, que ocorreu no sábado (8), no Solar Jambeiro, em Niterói.

O debate contou com a participação da jornalista e defensora de Direitos Humanos, Gizele Martins; Vivi Salles, do Poesia da Esquina; Fábio Silva, da Agência Nacional de Favelas; Marcus Galiña, do Ocupa Escola e Isaac Peñaherrera, ativista e militante cultural no Equador.

A roda de conversa trouxe à tona uma reflexão sobre a relação de pertencimento dos moradores da periferia com as suas comunidades, da importância de resgatar a memória local e construir uma comunicação comunitária que fale com e para a comunidade.

O jornalista Fábio Silva é de Nilópolis, uma das treze cidades que compõe a Baixada Fluminense. Para ele, a comunicação comunitária tem um papel crucial para as mais de três milhões de pessoas que vivem na Baixada. Segundo Silva, pela proximidade com o Rio de Janeiro, a região recebe o estigma de ‘cidade dormitório’ que é difícil de ser rompido.

Silva também destaca que a Baixada Fluminense é muito diversa e rica culturalmente, mas a grande mídia valoriza apenas o lado da violência. O jornalista chama a atenção, por exemplo, para a cidade de Nova Iguaçu que possui o maior número de saraus do estado do Rio de Janeiro, mas apenas estampa as páginas dos jornais com notícias relacionadas à violência.

Para o comunicador, levar outros pontos de vista da cidade acaba sendo um papel fundamental da comunicação comunitária, que revela toda a pluralidade existente nas ruas, praças e esquinas, mostrando o valor de cada cidadão no processo de construir uma história que traduza a essência daquela localidade.

A roda de conversa sobre Comunicação, Cultura e Direitos Humanos foi uma das atividades realizadas durante o primeiro Encontro Latino-Americano de Comunicação Comunitária e Cultura Viva que ocorreu de 6 a 9 de julho na cidade de Niterói. (pulsar)

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