MPF denuncia trabalho escravo em carvoaria de Minas Gerais


(imagem: reprodução)

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O Ministério Público Federal (MPF) denunciou um engenheiro e um motorista pelo crime de redução de trabalhadores a condições análogas à de escravo. Giovani de Deus Borges, engenheiro civil, é o proprietário da Fazenda Estiva, localizada na zona rural do município de São Romão, norte de Minas Gerais, onde foram encontrados oito empregados submetidos a condições degradantes de trabalho e sem registro em carteira. A propriedade rural era explorada diretamente pelo arrendatário Fabrício Cardoso Lino, cuja profissão é a de motorista. Fabrício era o responsável pela contratação dos trabalhadores para os serviços de na carvoaria do local.

Em 2011, uma equipe formada por auditores do Ministério do Trabalho e Emprego e policiais federais encontrou oito trabalhadores, sendo quatro cortadores de lenha, dois carbonizadores e dois empraçadores, responsáveis pelo ensacamento do carvão. Todos eram submetidos a inúmeras irregularidades, como alojamentos e condições de trabalho degradantes e até mesmo falta de pagamento dos salários.

De acordo com a denúncia, os alojamentos, construídos pelos próprios trabalhadores eram estruturas precárias e improvisadas com a utilização de toras de madeira, paredes e telhados recobertos com palhas de buriti ou lona plástica, montados embaixo de árvores. Todos eram de piso de terra, não havia energia elétrica nem instalações sanitárias.

O MPF lembra ainda o fato de que os empregados estavam expostos a graves riscos. Embora trabalhassem com fogo e com ferramentas perfurocortantes, como machados, foices e facões, não havia no local qualquer material de primeiros socorros, o que era especialmente agravado pelo fato de a fazenda estar situada a mais de 60 km do hospital mais próximo.

Ao prestar depoimento no inquérito policial, Fabrício Cardoso disse que “não sabia que fornecer aquele tipo de alojamento para trabalhadores, sem banheiro, água potável e local para armazenar alimentos, era inadequado”. (pulsar/combate racismo ambiental)

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