Marcha das Vadias protesta contra violência sexual e defende autonomia sobre o corpo


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Marcha das Vadias usa da irreverência para defender autonomia das mulheres sobre o próprio corpo (foto: Coletivo Fotografia Expandida)

O fim da violência sexual e de gênero: essa foi a pauta central da Marcha das Vadias, que levou 2 mil pessoas para orla da zona sul do Rio de Janeiro no último sábado (27). Dessa vez, a manifestação, que realizou sua terceira edição na cidade, ocorreu durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e aproveitou para questionar tabus da Igreja Católica como a criminalização do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Daniela Montper, uma das organizadoras da Marcha, ressalta que até mesmo católicas questionam os dogmas oficiais da Igreja,  como as do grupo Católicas pelo Direito de Decidir, que participaram da manifestação.

Na Marcha, muita cor e irreverência. Mulheres mostravam os seios ou caminhavam apenas de sutiã. A maioria carregava inscrito nos próprio corpo dizeres como “ meu corpo é laico”, “meu corpo, minhas regras” e “não é sobre sexo, é sobre violência”.

Daniela explica que essa forma de protestar é para mostrar que “o corpo é nosso território”. Segundo ela, se a pessoa invadi-lo sem ser convidada, independente da forma como a mulher esteja vestida, “é um estupro, uma agressão”. A manifestação também protestou contra o projeto de lei do Estatuto do Nascituro que, de acordo com movimentos feministas, significa a legalização do estupro no país.

A Marcha das Vadias teve origem em Toronto, no Canadá, em resposta à declaração de um policial que orientou a estudantes universitárias  a não se vestirem como vadias para não serem estupradas. Esta declaração foi interpretada como uma dupla culpabilização da vítima e uma isenção do agressor.

A questão da orientação sexual também esteve fortemente presente na Marcha. Julia Pombo,  lesbo-feminista, ressalta que até mesmo no movimento gay a questão do lesbianismo é, muitas vezes, invisibilizada. Ela acredita que, por diversas questões, exista uma menor abertura para que as mulheres se reconheçam como tal e, por isso, defende que o tema seja mais debatido pelo movimento feminista. (pulsar)

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