Jornalista mexicano é o sexto profissional de imprensa morto no país pelo crime organizado


O jornalista Javier Valdez foi assassinado pelo crime organizado no México. (foto: EFE)

O jornalista Javier Valdez foi assassinado pelo crime organizado no México. (foto: EFE)

A violência dos traficantes voltou a assassinar um jornalista no México. Javier Valdez, jornalista do Ríodoce, um dos repórteres que mais contou a violência do tráfico em Sinaloa, foi baleado na segunda-feira (15) em plena luz do dia em Culiacán, capital do estado, depois que homens interceptaram seu veículo, segundo as primeiras versões levantadas pelo semanário em que trabalhava. Valdez é o sexto jornalista assassinado até agora, neste ano, no México, mais que a metade do ano passado, que bateu recordes com 11 execuções. Desde 2000, mais de 100 foram mortos.

O golpe para o jornalismo, para a sociedade mexicana, é terrível, ainda mais pela escandalosa impunidade instalada e o silêncio das instituições. Não houve nenhuma prisão pelos seis assassinatos de jornalistas este ano. O presidente, Enrique Peña Nieto, condenou o atentado contra Valdez. A reação às cinco mortes prévias à de Valdez tinha sido até agora a nomeação de um procurador para crimes contra a liberdade de expressão.

Javier Valdez era uma eminência, o grande cronista do tráfico de drogas em Sinaloa, um dos jornalistas especializado em crime organizado mais respeitados do México. Seu livro Narco Periodismo. La prensa en medio del crimen y la denuncia aborda o trabalho dos jornalistas que não se calam em meio à violência dos traficantes. Depois que Miroslava Breach, correspondente do La Jornada em Chihuahua recebeu, no final de março, oito tiros ao sair de casa, Valdez escreveu em sua conta no Twitter: “Miroslava foi morto por falar demais. Que nos matem a todos, se essa é a sentença de morte por informar sobre este inferno. Não ao silêncio”.

Fundador do semanário Ríodoce, correspondente do jornal La Jornada, Valdez foi autor de vários livros sobre o tráfico de drogas, como Miss Narco, Huérfanos del narco e Malayerba, nome também de sua coluna no semanário, sendo que a última foi tuitada na própria manhã do seu assassinato. Em 2011, o Comitê para a Proteção de Jornalistas concedeu o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa pelo seu trabalho.  (pulsar/el país)

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