CIDH emite alerta sobre assassinatos de defensores dos direitos humanos na América Latina


O ativista mexicano Isidro Baldenegro recebendo o prêmio Goldman em 2005 (foto:goldman prize)

O ativista mexicano Isidro Baldenegro recebendo o prêmio Goldman em 2005 (foto:goldman prize)

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que é um órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), emitiu um comunicado no início de fevereiro para alertar sobre  o alto número de assassinatos envolvendo defensores dos direitos humanos. Desde o início do ano, 14 defensores de direitos humanos foram assassinados na América Latina.

No informe, a entidade “reitera sua preocupação pelas pessoas defensoras dos direitos à terra e aos recursos naturais, e as pessoas defensoras indígenas e afrodescendentes que continuam enfrentando grandes riscos de violência”.

A CIDH destacou que sete dos homicídios ocorreram na Colômbia; dois na Guatemala; dois no México e três na Nicarágua. Segundo a organização, há um aumento “devastador da violência contra aquelas pessoas que se opõem a projetos de extração ou de desenvolvimento, ou que defendem o direito à terra e aos recursos naturais dos povos indígenas na região”.

A situação da Colômbia causa especial preocupação por conta do aumento recente da violência. Desde a assinatura do acordo inicial de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias (Farc), em setembro de 2016, 40 líderes sociais foram mortos – isso significa que houve um assassinato a cada três dias. Movimentos sociais afirmam que a repressão está ocorrendo de forma sistemática, e que estaria sendo levada a cabo por grupos paramilitares de extrema-direita.

Em dezembro, um órgão das Nações Unidas já havia alertado para uma alta no assassinato de ativistas no país, em especial para os crimes que ocorrem no meio rural. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos notou que essas áreas contavam historicamente com presença das Farc, e a desmobilização da guerrilha acabou provocando um vazio na região.

No México, foram assassinados neste ano os ambientalistas Isidro Baldenegro e Juan Ontiveros. Eles defendiam os direitos do povo rarámuri, ao qual pertenciam. Os crimes ocorreram no estado de Chihuahua, em um intervalo de duas semanas.

Baldenegro era um reconhecido ativista, e havia recebido o prêmio Goldman pela sua luta em defesa da terra. Ele é o segundo ambientalista vencedor do prêmio assassinado em menos de um ano: também o havia recebido a ambientalista hondurenha Berta Cáceres  assassinada em março de 2016. (pulsar/cpt)

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